O que são verbos defectivos? Entenda o conceito e exemplos

14/01/2026
Kumon Brasil
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Professora com alunos, ensinando sobre verbos defectivos

Entre os temas que mais despertam curiosidade entre estudantes está o grupo conhecido como verbos defectivos, cuja presença no idioma coloca em evidência como a língua é viva, flexível e cheia de particularidades. 


Embora possam parecer complexos à primeira vista, eles tornam-se mais claros quando analisados com calma, exemplos práticos e orientação adequada, algo sempre valorizado pelo Método Kumon, que incentiva o estudo gradual e o desenvolvimento da autonomia.


Ao longo deste post, você verá verbos defectivos impessoais e unipessoais, exemplos de aplicação, classificações, explicações de origem e até exercícios para praticar. Vamos seguir juntos nessa jornada gramatical para que, ao final, você domine esse assunto sem complicações.


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O que são verbos defectivos?


Para compreender de maneira completa o que são verbos defectivos, é fundamental observar que eles pertencem a uma classe especial de verbos cuja conjugação é parcialmente incompleta. Isso significa que não apresentam todas as formas previstas na conjugação regular. 


Na prática, podem faltar determinadas pessoas (como eu, tu, nós) ou tempos verbais (como o pretérito imperfeito do subjuntivo), dependendo do verbo e de sua função dentro da frase.


A razão para essa ausência é variada. Alguns verbos não possuem determinadas formas porque seriam difíceis de pronunciar ou causariam cacofonias desagradáveis. Outros, especialmente aqueles ligados a fenômenos naturais, não fazem sentido quando associados a sujeitos específicos. 


Exemplos de verbos defectivos


Entre os exemplos mais conhecidos de verbos defectivos, encontramos verbos como “chover”, “nevar”, “latejar”, “abolir” e “falir”. Cada um deles apresenta lacunas diferentes em sua conjugação. 


“Chover”, por exemplo, normalmente aparece apenas na terceira pessoa do singular, já que se refere a fenômenos naturais e não pode ter um sujeito humano. Já “abolir” é um caso em que a dificuldade de pronúncia fez com que algumas formas verbais fossem evitadas pelos falantes, consolidando a ausência de determinadas conjugações.


Os estudantes, ao observarem esses usos, percebem que os verbos se comportam de forma diferente dependendo do contexto. “Falir”, por exemplo, não costuma ser conjugado no presente do indicativo nas primeiras pessoas, porque as formas resultantes soam estranhas e, portanto, foram abandonadas com o tempo.


Quando um verbo é considerado defectivo?


Aluno em dúvida, levantando a mão para perguntar sobre os verbos defectivos

Um verbo é considerado defectivo quando não pode ser conjugado em todas as pessoas, tempos ou modos previstos pela gramática normativa. Essa limitação ocorre por motivos variados, mas sempre está relacionada ao uso real da língua. 


Os verbos defectivos surgem porque certas formas deixaram de fazer sentido, se tornaram difíceis de pronunciar ou, simplesmente, nunca foram adotadas pelos falantes.


Nos próximos subtópicos, analisaremos duas das razões mais comuns pelas quais um verbo pode se tornar defectivo: o significado e a cacofonia.


Significado da palavra


Em muitos casos, o verbo se torna defectivo por causa de seu significado. É o caso dos verbos ligados a fenômenos da natureza, como “trovejar” ou “gear”. 


Como esses verbos descrevem eventos que não dependem de agentes humanos, não faria sentido conjugá-los em formas como “eu trovejo” ou “nós geamos”. Isso explica a existência dos verbos defectivos impessoais, um dos grupos mais recorrentes.


O significado, portanto, é uma pista importante para identificar lacunas. Se o verbo expressa uma ação que não pode ser atribuída a uma pessoa específica, é natural que apenas determinadas formas sejam utilizadas.


Cacofonia


Outra causa frequente para a formação de verbos defectivos é a cacofonia: quando uma palavra ou expressão soa desagradável, estranha ou causa ambiguidade fonética. 


A língua portuguesa, como qualquer outra, tende a evitar sons desconfortáveis, substituindo construções problemáticas por alternativas mais naturais. Assim, certas conjugações de verbos como “abolir”, “colorir” ou “falir” foram simplesmente abandonadas por soarem difíceis ou feias ao ouvido.


Esse processo é espontâneo e coletivo: quando os falantes evitam determinadas formas ao longo do tempo, elas desaparecem da prática e passam a ser consideradas ausências legítimas.


Como são classificados os verbos defectivos?


Os verbos defectivos podem ser classificados de acordo com o tipo de limitação que apresentam e com o motivo pelo qual certas formas verbais não são usadas. Essa organização ajuda o estudante a entender como cada grupo funciona e por que determinadas conjugações não aparecem no cotidiano. 


Entre as classificações mais conhecidas estão os verbos defectivos impessoais e os verbos defectivos unipessoais, duas categorias essenciais para compreender o tema com clareza. Cada uma delas possui características específicas, vinculadas ao uso real da língua e ao comportamento fonético ou semântico dos verbos.


Verbos defectivos impessoais


Os verbos defectivos impessoais formam o grupo mais conhecido dentro da categoria dos verbos com lacunas. Eles são chamados assim porque não possuem sujeito definido, uma vez que representam fenômenos naturais ou ações que acontecem sem depender de um agente humano. 


Verbos como “chover”, “trovejar”, “gear”, “ventar” e “anoitecer” são exemplos clássicos desse grupo. Você não pode dizer “eu chovo” ou “eles trovejam” em referência ao fenômeno da natureza, pois essas construções não fazem sentido dentro do português padrão.


Além disso, a impessoalidade desse tipo de verbo determina que eles sejam conjugados apenas na terceira pessoa do singular, mesmo quando a oração apresenta complementos ou circunstâncias de tempo e lugar. 


Exemplos de frases com verbos defectivos impessoais


1. Choveu intensamente durante toda a madrugada.

2. Parece que vai nevar no sul do país amanhã.

3. Anoitece mais cedo no inverno.

4. No alto da serra, troveja com frequência.

5. Quando venta forte, as janelas precisam ficar bem fechadas.


Nessas frases, os verbos defectivos impessoais aparecem sempre na terceira pessoa do singular, demonstrando que não possuem sujeito definido. O fenômeno ou evento retratado ocorre por si só, sem que uma pessoa concreta seja responsável pela ação.


Verbos defectivos unipessoais


Os verbos defectivos unipessoais formam outro grupo importante dentro do estudo dos verbos com lacunas. Eles recebem esse nome porque costumam ser conjugados apenas na terceira pessoa, geralmente do plural, já que representam ações ou comportamentos atribuídos a seres humanos de maneira impessoal ou genérica. 


Exemplos clássicos incluem “latejar”, “grunhir”, “miar” e verbos que descrevem sons produzidos por animais. Muitos desses verbos não são usados em todas as pessoas porque não haveria contexto natural para isso.


Além disso, os verbos defectivos unipessoais aparecem frequentemente em narrativas, textos descritivos ou relatos que destacam comportamentos coletivos ou expressões sonoras que não podem ser atribuídas a um único agente.


Exemplos de frases com verbos defectivos unipessoais


1. Os cachorros latem quando alguém se aproxima do portão.

2. Os gatos miam baixinho durante a madrugada.

3. As crianças riem alto no recreio.

4. Os filhotes grunhem quando sentem fome.

5. Na mata, os pássaros piam de forma contínua ao amanhecer.


Essas frases demonstram que os verbos defectivos unipessoais são usados quase sempre na terceira pessoa do plural, caracterizando ações coletivas ou associadas a comportamentos típicos de determinados seres.


Conjugação dos verbos defectivos


Alunos em biblioteca estudando os verbos defectivos

A conjugação dos verbos defectivos exige um cuidado especial porque nem todas as formas estão disponíveis para uso. Essa limitação não significa que o verbo seja incompleto ou incorreto, mas apenas que sua construção segue o padrão consolidado pela prática linguística. 


Quando um aluno tenta conjugar um verbo defectivo de maneira integral, pode se deparar com formas estranhas, impossíveis de pronunciar ou que simplesmente não fazem parte do repertório comum dos falantes.


Por exemplo, o verbo “abolir” costuma gerar dúvidas porque algumas gramáticas permitem sua conjugação completa, enquanto outras consideram que apenas determinadas formas são usadas. 


Na prática, muitas pessoas evitam conjugações como “eu abolo” ou “tu aboles”, o que faz com que o verbo se encaixe no grupo dos defectivos em uso real. Já verbos como “falir”, por sua vez, apresentam lacunas claras, especialmente no presente do indicativo.


Verbos defectivos e anômalos: entenda as diferenças


Embora muitas vezes sejam confundidos, verbos defectivos e verbos anômalos representam categorias distintas dentro do estudo da morfologia verbal. A diferença principal está na natureza das irregularidades apresentadas. 


Enquanto os defectivos possuem lacunas em sua conjugação, ou seja, certas formas simplesmente não existem ou não são usadas, os anômalos apresentam alterações estruturais profundas ao longo de toda a conjugação, mas ainda assim são conjugados em todas as pessoas, modos e tempos.


Verbos como “ser” e “ir” são representantes clássicos dos anômalos. Suas formas mudam radicalmente entre os diferentes tempos verbais, como se fossem verbos completamente diferentes: “sou”, “fui”, “era”, “vou”, “ia”. 


Essas mudanças não seguem padrões previsíveis, o que exige estudo detalhado para domínio completo. No entanto, mesmo com essa irregularidade acentuada, esses verbos não são considerados defectivos, pois mantêm todas as formas previstas pela gramática.


Já os verbos defectivos deixam de ser conjugados em determinadas formas, seja por motivos fonéticos, seja por inconsistências de sentido.


Exercícios de verbos defectivos


A prática é fundamental para fixar o conteúdo e reforçar a compreensão da classificação, conjugação e uso dos verbos defectivos. Cada atividade valoriza o raciocínio próprio, um dos pilares do método Kumon, incentivando o aluno a observar padrões e construir o conhecimento de forma autônoma.


Exercício 1


Leia as frases abaixo e identifique quais verbos são verbos defectivos. Em seguida, explique por que eles são considerados defectivos.


a) Ontem trovejou durante a tarde.

b) A empresa faliu no início do ano.

c) A professora disse que o verbo “abolir” gera dúvidas entre os alunos.

d) O filhote grunhe quando está com fome.


Exercício 2


Complete as frases com a forma adequada dos verbos defectivos entre parênteses.


a) No outono, ______ muito cedo. (anoitecer)

b) Os animais ______ intensamente ao perceberem perigo. (grunhir)

c) Parece que hoje ______ no litoral. (chover)

d) Os filhotes ______ quando querem chamar atenção. (miar)


Exercício 3


Transforme as frases abaixo, reescrevendo-as com verbos sinônimos que não sejam considerados defectivos.


a) Trovejaria mais cedo se as nuvens estivessem carregadas.

b) O filhote miou durante toda a noite.

c) Parece que vai nevar no final da tarde.

d) Os dois irmãos riram da piada contada pelo colega.


Como aprender sobre verbos defectivos e como usá-los?


Alunos em sala de aula aprendendo sobre verbos defectivos

Aprender sobre os verbos defectivos pode parecer desafiador no início, mas esse processo se torna mais simples quando o estudante organiza as informações, observa exemplos reais e pratica com frequência. 


A chave está em entender que esse grupo de verbos não é definido apenas por regras normativas, mas também pelo modo como as pessoas utilizam a língua no dia a dia. Quanto mais contato o aluno tem com textos diversificados, mais facilmente identifica padrões de uso.


O estudo começa pela observação: reconhecer verbos defectivos impessoais, perceber como se comportam na terceira pessoa do singular e analisar por que não podem ter sujeito. Depois, o estudante explora os verbos defectivos unipessoais, compreendendo seu uso associado a comportamentos ou sons típicos de grupos ou espécies. 


A partir daí, torna-se mais simples diferenciar verbos com lacunas daqueles que apenas apresentam irregularidades, como os anômalos.


As repetições naturais desses verbos em frases do cotidiano fortalecem a aprendizagem e tornam o processo mais confortável. Além disso, plataformas de estudo, listas de exercícios, explicações progressivas e materiais organizados ajudam o aluno a consolidar aquilo que aprendeu. 


É por isso que métodos como o Kumon são tão eficazes: o estudante trabalha de forma gradual, avança conforme seu próprio ritmo e reforça o aprendizado por meio de práticas constantes que estimulam o raciocínio.


Conclusão


Os verbos defectivos são uma parte fascinante da estrutura da língua portuguesa, revelando como o idioma se adapta às necessidades comunicativas e se transforma com o uso ao longo do tempo. 


Estudá-los é compreender que a gramática não é apenas um conjunto de regras, mas um retrato vivo da forma como as pessoas se expressam. 


Dominar o que são verbos defectivos ajuda na interpretação de textos, no desempenho escolar e na construção de frases mais coerentes. 


Com exercícios variados, observação constante e práticas guiadas, qualquer estudante pode incorporar esse conhecimento de forma natural. 


O mais importante é manter a curiosidade ativa e continuar explorando as nuances do idioma, descobrindo como cada palavra desempenha seu papel dentro da comunicação.

Sobre o Kumon​

O Kumon é um método de estudo que desenvolve ao máximo o potencial do seu filho, de forma individualizada. Criado no Japão em 1958 pelo professor Toru Kumon, o método está presente em mais de 60 países e reúne mais de 4 milhões de estudantes.

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