
Entre os principais formatos cobrados em redações escolares, vestibulares e exames nacionais, o texto dissertativo-argumentativo tem a sua enorme relevância, porque esse tipo de produção escrita exige que o estudante apresente um ponto de vista sobre um tema e o defenda por meio de argumentos claros, organizados e bem fundamentados.
E isso tem tudo a ver com o cuidado que as bancas examinadoras analisam na hora de avaliar os candidatos a todo tipo de exame. Principalmente, porque esse modelo de texto busca desenvolver a capacidade de análise, reflexão e posicionamento crítico.
Vamos te ajudar a entender isso, detalhe por detalhe. Nos tópicos abaixo deste guia, você vai entender o que é um texto dissertativo-argumentativo, como ele é estruturado e quais estratégias ajudam a desenvolver uma redação clara, coerente e bem organizada.
O que é um texto dissertativo-argumentativo?
O texto dissertativo-argumentativo é um tipo de redação em que o autor apresenta uma tese (ponto de vista) sobre um tema e utiliza argumentos para defendê-la ao longo do texto.
Nesse formato, o objetivo é informar, mas não só isso, pois ele também analisa uma questão e persuade o leitor por meio de raciocínio lógico, dados, exemplos e repertório sociocultural. Para entender o conceito, vamos diferenciar dois elementos:
Dissertar significa explicar, refletir ou discutir um assunto de forma organizada;
Argumentar significa defender uma ideia ou posição com justificativas e evidências.
Assim, no texto dissertativo-argumentativo, o autor expõe um tema, apresenta um posicionamento e desenvolve argumentos que sustentam essa tese. Para tanto, o modelo exige clareza, coerência e organização das ideias, além de linguagem formal e objetiva.
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Qual é o objetivo desse tipo de texto?
O principal objetivo do texto dissertativo-argumentativo é convencer o leitor sobre um ponto de vista a respeito de determinado tema. Para isso, o autor precisa:
Apresentar uma tese clara;
Desenvolver argumentos consistentes;
Utilizar exemplos, dados ou referências relevantes;
Construir uma linha de raciocínio lógica.
Esse processo estimula o pensamento crítico, pois exige que o estudante analise diferentes perspectivas e defenda sua posição. Além disso, ajuda a desenvolver habilidades como organização de ideias, argumentação, interpretação e capacidade de síntese.
Onde o texto dissertativo-argumentativo é cobrado?
Um texto desse tipo costuma aparecer com frequência em avaliações educacionais, principalmente em contextos que exigem análise e posicionamento crítico. Por exemplo:
Redações escolares;
Concursos públicos;
Avaliações diagnósticas;
Exames nacionais.
Um exemplo bastante conhecido do público brasileiro é a redação do Exame Nacional do Ensino Médio, que utiliza exatamente esse modelo textual e reúne, anualmente, mais de um milhão de inscritos.
Além disso, muitas universidades adotam o formato em processos seletivos, justamente por avaliar a capacidade de argumentação, organização textual e repertório do estudante.
Texto dissertativo-argumentativo no ENEM
Na redação do Exame Nacional do Ensino Médio, o estudante deve produzir um texto dissertativo-argumentativo a partir de um tema de relevância social, cultural ou política. Nesse modelo, o candidato precisa:
Apresentar uma tese sobre o tema;
Desenvolver argumentos consistentes;
Utilizar repertório sociocultural;
Propor uma intervenção para o problema discutido.
A redação é avaliada em cinco competências: domínio da norma-padrão da língua; compreensão do tema; organização das ideias; argumentação; e elaboração da proposta de intervenção. Por isso, a estrutura e as características do texto dissertativo-argumentativo devem ser familiares, para que o candidato obtenha um bom desempenho no exame.
Estrutura do texto dissertativo-argumentativo
Esse tipo de texto é dividido em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. A introdução apresenta o tema e a tese; o desenvolvimento expõe os argumentos que sustentam a posição; e a conclusão retoma a ideia central e propõe um fechamento.
Quando bem aplicada, a estrutura organiza o texto de maneira persuasiva e acessível ao leitor, o que facilita a compreensão e aumenta a qualidade da argumentação.
Vamos falar sobre cada etapa em detalhes.
Introdução: como apresentar a tese corretamente
A introdução é o momento de apresentar o tema e indicar o posicionamento, chamado de tese. Uma boa estratégia é começar com uma contextualização, que pode incluir uma reflexão sobre o tema e/ou uma referência histórica, social ou cultural.
Em seguida, o autor deve apresentar de forma clara qual é sua opinião ou perspectiva sobre o assunto. A tese precisa ser objetiva e bem definida, pois ela orienta todo o desenvolvimento da redação. Também é comum indicar brevemente quais serão os argumentos discutidos nos parágrafos seguintes.
Desenvolvimento: como construir argumentos fortes
O desenvolvimento é a parte em que o autor explica e sustenta a tese da introdução. Normalmente, essa etapa é formada por dois ou mais parágrafos argumentativos em que cada um apresenta um argumento seguido de explicações, exemplos ou dados que reforcem a ideia. Essa organização ajuda a manter o raciocínio claro e progressivo.
Vale a pena, também, utilizar seu repertório sociocultural a partir de fatos históricos, dados estatísticos, estudos, obras literárias, filmes ou pensamentos de autores relevantes. Esses elementos demonstram profundidade de análise e ampliam a credibilidade do texto.
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Conclusão: como fechar o texto com estratégia
A conclusão é responsável por retomar a tese apresentada no início do texto e reforçar a linha de raciocínio desenvolvida. Nesse momento, o autor sintetiza os argumentos e mostra como eles confirmam o ponto de vista defendido.
O objetivo, portanto, é encerrar a redação de forma coerente, sem introduzir novas ideias.
Em modelos como o da redação do Exame Nacional do Ensino Médio, a conclusão deve apresentar, também, uma proposta de intervenção. Ou seja, uma possível solução para o problema, que seja viável e relacionada aos argumentos apresentados ao longo do texto.

Como fazer um texto dissertativo-argumentativo passo a passo
Produzir um texto dissertativo-argumentativo exige organização de ideias e planejamento antes da escrita. Para alcançar o objetivo, convém seguir um processo estruturado e, com isso, desenvolver argumentos coerentes. Veja como funciona a partir da seguinte estrutura:
Leia atentamente o tema e identifique o problema central;
Defina sua tese, ou seja, o posicionamento que será defendido;
Selecione argumentos que sustentem essa tese;
Organize a estrutura do texto (introdução, desenvolvimento e conclusão);
Escreva os parágrafos com clareza, conectando bem as ideias;
Revise o texto, verificando coerência, gramática e estrutura.
Como planejar o texto antes de começar a escrever
Antes de iniciar a redação, é importante fazer um planejamento rápido das ideias. Esse momento funciona como um rascunho estratégico. Uma técnica simples envolve 4 etapas:
Leitura do tema: identifique exatamente o que está sendo pedido;
Definição da tese: escolha qual posição você irá defender;
Seleção de argumentos: pense em dois ou três motivos que sustentem sua ideia;
Estruturação em tópicos: anote como cada argumento será desenvolvido.
Como criar uma tese forte
A tese é a ideia central que orienta todo o texto. Por isso, ela precisa ser específica e relacionada diretamente ao tema proposto.
Uma tese forte apresenta um posicionamento, evitando frases vagas ou genéricas. Em vez de apenas mencionar o assunto, indique sua interpretação ou opinião sobre ele. Outra estratégia é relacionar a tese a causas, consequências ou soluções para o problema. Dessa forma, os argumentos do desenvolvimento aprofundam a análise com facilidade.
Como desenvolver argumentos consistentes
Os argumentos são responsáveis por sustentar a tese, e cada parágrafo do desenvolvimento deve apresentar uma ideia principal e explicá-la de maneira clara.
Uma estrutura comum de parágrafo argumentativo inclui:
Apresentação do argumento principal;
Explicação ou análise da ideia;
Exemplo, dado ou referência que fortaleça o raciocínio.
Também é importante utilizar conectivos para manter a progressão das ideias, como “além disso”, “portanto”, “nesse sentido” ou “por outro lado”.
Como usar repertório sociocultural no texto dissertativo-argumentativo?

O repertório sociocultural é um conjunto de referências que ajudam a ampliar e fundamentar a argumentação do texto e demonstra que o autor consegue relacionar o tema a conhecimentos da sociedade, da cultura e da história. Alguns exemplos:
Livros e obras literárias;
Filmes ou séries;
Fatos históricos;
Dados estatísticos;
Estudos científicos;
Pensamentos de filósofos ou sociólogos.
O mais importante é integrar essas referências de forma natural ao argumento, e não apenas citá-las de maneira solta. Por exemplo, um dado estatístico pode reforçar uma explicação, enquanto um fato histórico pode ilustrar uma consequência social.
Quando bem utilizado, o repertório sociocultural torna o texto mais rico, crítico e consistente, qualidades muito valorizadas em redações escolares e exames como o ENEM.
Tipos de argumentos que podem ser usados no texto dissertativo-argumentativo
Em um texto dissertativo-argumentativo, não basta apresentar uma opinião: é preciso sustentar a tese com argumentos sólidos e bem estruturados. Para isso, diferentes estratégias podem ser utilizadas. Veja os tipos mais utilizados na construção do texto:
Tipo de argumento | Estratégia | Exemplo de aplicação |
Argumento de autoridade | Utiliza a opinião ou teoria de especialistas, pensadores ou instituições reconhecidas para fortalecer a ideia apresentada | O educador Paulo Freire defendia que a educação desenvolve a consciência crítica, mostrando como o acesso ao conhecimento transforma a sociedade |
Exemplificação | Apresenta situações reais ou hipotéticas que ajudam a ilustrar e tornar o argumento mais concreto | Um exemplo disso é o aumento de projetos de leitura em escolas públicas que melhoraram o desempenho dos alunos em interpretação de texto |
Causa e consequência | Explica os fatores que originam determinado problema e os impactos que ele gera na sociedade | A falta de incentivo à leitura pode reduzir o repertório cultural dos estudantes, o que afeta diretamente sua capacidade de argumentação |
Comparação | Relaciona duas situações diferentes para destacar semelhanças ou contrastes que reforcem a tese | Enquanto países que investem em educação apresentam altos índices de leitura, regiões com menos investimento costumam ter maior dificuldade no desempenho escolar |
Dados estatísticos | Utiliza números, pesquisas ou levantamentos para dar mais credibilidade e objetividade ao argumento | Segundo pesquisas educacionais, 85% dos estudantes que mantêm o hábito da leitura costumam apresentar melhor desempenho em redação. |
Principais erros no texto dissertativo-argumentativo
Alguns erros podem comprometer a qualidade da redação e prejudicar a clareza da argumentação. Entre os mais comuns estão:
Fugir do tema proposto;
apresentar argumentos superficiais ou repetitivos;
não deixar clara a tese na introdução;
escrever parágrafos sem conexão lógica;
utilizar linguagem muito informal;
não apresentar uma conclusão coerente.
Diferença entre texto dissertativo e dissertativo-argumentativo
O texto dissertativo explica ou discute um tema, apresentando informações e reflexões de forma organizada. Já o texto dissertativo-argumentativo vai além, e o autor defende (e sustenta) um ponto de vista com argumentos, exemplos e referências. Ou seja:
Dissertativo: explica e analisa um assunto;
Dissertativo-argumentativo: analisa o tema e defende uma posição sobre ele.
Exemplo de texto dissertativo-argumentativo
Veja um exemplo de texto dissertativo-argumentativo para inspirar as suas ideias:
A importância da leitura na formação dos jovens A leitura desempenha um papel fundamental no desenvolvimento intelectual e social dos jovens. Em um contexto marcado pelo grande volume de informações disponíveis, o hábito de ler contribui para a formação de indivíduos mais críticos e preparados para interpretar a realidade. Nesse sentido, incentivar a leitura desde cedo é essencial para o desenvolvimento educacional. Em primeiro lugar, a leitura amplia o repertório cultural e estimula o pensamento crítico. Ao entrar em contato com diferentes ideias, histórias e perspectivas, os jovens desenvolvem maior capacidade de reflexão e interpretação. Além disso, esse hábito fortalece habilidades importantes, como vocabulário, escrita e compreensão textual. Outro ponto relevante é que a leitura contribui para o desempenho acadêmico. Estudantes que cultivam esse hábito tendem a apresentar mais facilidade para compreender conteúdos escolares e elaborar textos mais organizados e argumentativos. Portanto, promover o acesso à leitura e estimular esse hábito entre os jovens é uma estratégia importante para fortalecer a educação e formar cidadãos mais críticos e participativos. |
Dicas para tirar nota alta na redação

Algumas estratégias podem ajudar a melhorar o desempenho em redações escolares e exames:
Leia atentamente o tema antes de começar a escrever;
Planeje a estrutura do texto antes de iniciar a redação;
Apresente uma tese clara na introdução;
Desenvolva argumentos bem explicados e exemplificados;
Utilize conectivos para manter a fluidez do texto;
Revise ortografia, pontuação e coerência.
Viu como a capacidade de interpretar textos, organizar ideias e argumentar pode ser construída com prática, disciplina e acompanhamento? Quanto mais o estudante exercita essas habilidades, maior tende a ser sua confiança na escrita e no desempenho escolar.
Inclusive, o método Kumon incentiva o desenvolvimento progressivo da leitura, interpretação e autonomia nos estudos, habilidades fundamentais para produzir bons textos e fortalecer o aprendizado.
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