
Você já ficou em dúvida entre dizer “assistir o filme” ou “assistir ao filme”? Ou então travou na hora de escrever “gostar de” ou “gostar em”? Se sim, você está longe de ser a única pessoa que não sabe, exatamente, o que é a regência verbal.
Ao longo deste conteúdo, você vai descobrir como a regência funciona, ver exemplos do dia a dia e aprender a evitar erros comuns com mais segurança.
O que é regência verbal?
A regência verbal é a relação entre o verbo e o complemento que o acompanha. Basicamente, é a forma como o verbo “se conecta” com o restante da frase. E, aqui, entra um conceito importante, mas que pode ser entendido sem complicação:
O verbo é chamado de termo regente;
O complemento é chamado de termo regido.
Mas, mais importante do que os nomes, é entender a ideia central: alguns verbos exigem preposição. Outros não. Ou seja, cada verbo “pede” uma estrutura específica para que a frase esteja correta. Veja alguns exemplos simples:
Gostar de algo;
Obedecer a alguém;
Amar alguém (sem preposição).
Perceba como não é aleatório. Não dá para trocar “de” por “em” ou simplesmente tirar a preposição quando ela é necessária. É isso que a regência organiza: qual é a forma correta de ligar o verbo ao seu complemento.
Saiba mais: Como estudar português do zero? Confira a ordem de conteúdos
Como funciona a regência na prática
Agora que você já entendeu o que é regência verbal, vamos trazer isso para situações reais. Na prática, os verbos podem se comportar de formas diferentes, e é isso que gera muitas dúvidas.
Verbos sem preposição (transitivos diretos)
Alguns verbos se ligam ao complemento diretamente, sem precisar de preposição. Exemplo:
“Comprei um livro”.
Nesse caso, o verbo “comprar” não exige nenhum “de”, “a”, “em”… nada disso. A conexão é direta. Outros exemplos:
“Vi o filme”;
“Encontrei meu amigo”.
Verbos com preposição (transitivos indiretos)
Já outros verbos precisam obrigatoriamente de uma preposição para fazer sentido completo. Exemplo:
“Preciso de ajuda”;
O verbo “precisar” pede a preposição “de”. Sem ela, a frase fica incorreta. Mais exemplos:
“Gosto de música”;
“Obedeço aos meus pais”.
Aqui, a preposição não é opcional. Ela faz parte da estrutura correta do verbo.
Verbos com dois complementos
Existem também verbos que se ligam a dois elementos ao mesmo tempo. Normalmente, um sem preposição e outro com preposição. Exemplo:
“Entreguei o relatório ao gestor”.
Perceba:
“o relatório” → complemento direto (sem preposição);
“ao gestor” → complemento com preposição.
Outros exemplos:
“Enviei o e-mail ao cliente”;
“Expliquei a matéria aos alunos”.
Diferença entre regência e concordância

Embora os dois conceitos façam parte da gramática, eles tratam de coisas diferentes: a regência verbal está relacionada à ligação entre palavras, especialmente entre o verbo e seu complemento. Muitas vezes, isso envolve o uso (ou não) de preposição.
Já a concordância verbal diz respeito à flexão do verbo, ou seja, à forma como ele se ajusta ao sujeito da frase. Veja o contraste:
Regência: “Gosto de música”;
Concordância: “Eu gosto” / “Eles gostam”.
Perceba que, na regência, o foco está na presença da preposição (“de”); na concordância, o foco está na forma do verbo (“gosto” vs “gostam”). Uma forma simples de guardar isso:
Regência = conexão entre palavras;
Concordância = forma do verbo em relação ao sujeito.
Se você já estudou ou pretende estudar concordância com mais profundidade, vale muito a pena explorar esse tema em conjunto porque os dois se complementam no uso da língua.
Veja também: Concordância verbal e nominal: confira as principais regras!
Exemplos práticos de regência verbal no dia a dia
Agora vamos entender o que é regência a partir de exemplos disso no cotidiano. Abaixo, alguns dos verbos mais usados, e que mais geram dúvidas, com suas regências corretas:
Assistir a (no sentido de ver). Ex: “Assisti ao filme ontem”;
Gostar de. Ex: “Gosto de música”;
Precisar de. Ex: “Preciso de ajuda”;
Obedecer a. Ex: “Obedeço aos meus pais”;
Chegar a (norma formal). Ex: “Cheguei ao trabalho cedo”.
Sobre esse último caso, vale uma observação importante: No uso informal, é muito comum ouvir “cheguei no trabalho”. Essa construção é amplamente utilizada na fala do dia a dia, mas, na norma-padrão (especialmente em contextos formais como redações, provas ou e-mails profissionais), o mais indicado é “cheguei ao trabalho”.
Verbos que mais geram dúvida
Alguns verbos são verdadeiros “campeões” de erro. Principalmente, porque mudam de sentido dependendo da construção. Entender esses casos traz um ganho imediato na sua escrita e interpretação.
Assistir
Esse é um dos mais conhecidos.
No sentido de ver: “Assistir a algo”. Ex: “Assisti ao jogo”;
No sentido de ajudar ou prestar assistência: sem preposição. Ex: “O médico assistiu o paciente”.
Ou seja, o mesmo verbo, com significados diferentes, exige estruturas diferentes.
Visar
Outro verbo que muda conforme o contexto:
No sentido de objetivo ou intenção: “Visar a algo”. Ex: “O projeto visa ao crescimento da empresa”;
No sentido de mirar: sem preposição. Ex: “O atirador visou o alvo”
Implicar
Aqui também há variação de uso:
“Implicar com alguém” (no sentido de implicância). Ex: “Ele implica com o colega”;
No sentido de causar ou resultar em algo: sem preposição. Ex: “A decisão implica mudanças”.
Erros comuns no dia a dia
Agora que você já entendeu como a regência funciona, vale olhar para alguns erros muito comuns, daqueles que aparecem o tempo todo na fala e na escrita.
A ideia aqui não é “decorar regras”, mas entender o porquê de cada caso.
ERRADO: Assistir o filme;
CERTO: Assistir ao filme.
O verbo “assistir”, no sentido de ver, exige a preposição “a”. Por isso, o correto é “assistir ao filme”.
ERRADO: Cheguei no trabalho;
CERTO: Cheguei ao trabalho.
Na norma-padrão, o verbo “chegar” pede a preposição “a”. O uso de “em” (“no”) é comum na fala, mas não é o mais adequado em contextos formais.
ERRADO: Prefiro mais café do que chá;
CERTO: Prefiro café a chá.
O verbo “preferir” já traz a ideia de comparação. Por isso, não precisa de “mais… do que”. A estrutura correta é “preferir algo a outro”.
Esses exemplos mostram um padrão importante: muitas vezes, o erro não está na ideia, mas na forma como o verbo se conecta com o restante da frase.
E esse tipo de ajuste faz diferença, principalmente em situações formais, como provas, redações e comunicação profissional.
Dicas práticas para não errar regência

Se você chegou até aqui, já percebeu que regência não é só teoria, mas prática constante. A boa notícia é que existem algumas estratégias simples que ajudam (e muito) nesse processo.
Leia com frequência
Quanto mais você entra em contato com textos bem escritos, mais natural fica reconhecer as construções corretas. A repetição cria familiaridade.
Crie associações mentais
Algumas estruturas podem virar quase “automáticas”:
Quem gosta, gosta de;
Quem precisa, precisa de.
Essas associações ajudam a reduzir dúvidas no dia a dia.
Comece pelos verbos mais usados
Você não precisa aprender tudo de uma vez. Foque primeiro nos verbos mais comuns, são eles que mais aparecem nas suas frases.
Observe contextos formais
Preste atenção em como a língua portuguesa é usada em textos mais formais, como notícias, livros ou materiais acadêmicos. Isso ajuda a internalizar padrões corretos.
Regência verbal e crase
Existe um ponto de conexão interessante entre regência verbal e outro tema que costuma gerar dúvidas: a crase, que aparece quando há a combinação de dois elementos:
a preposição “a” (exigida pelo verbo) e o artigo feminino “a”. Essa junção forma a crase: “Vou à escola”.
Nesse caso, o verbo “ir” pede a preposição “a” e “escola” aceita o artigo “a”. Resultado: à.
Leia também: Quando usar crase nas frases? Conheça as regras
Exercícios práticos de regência verbal
Agora é hora de testar seu entendimento. Complete as frases com a forma correta (as respostas estão no final deste conteúdo):
Eu assisti ___ filme ontem à noite.
Ela gosta ___ música clássica.
Nós chegamos ___ escola cedo.
Ele prefere café ___ chá.
O aluno obedeceu ___ professor.
Preciso ___ ajuda para resolver isso.
O projeto visa ___ melhoria dos processos.
Ela implicou ___ o colega sem motivo.
Conclusão
E aí, deu para entender o que é regência verbal? Claro, a princípio, ela pode parecer complicada, mas, na prática, ela segue uma lógica clara: cada verbo estabelece uma forma específica de se conectar com o restante da frase.
Com o tempo, prática e atenção, esse conhecimento deixa de ser uma dúvida e passa a fazer parte do seu uso natural da língua.
Se você quer desenvolver uma base sólida em português, com mais clareza na escrita e confiança na interpretação, vale conhecer uma metodologia que respeita o seu ritmo e promove evolução constante.
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Respostas dos exercícios
ao (“assistir”, no sentido de ver, exige “a”);
de (“gostar” exige “de”);
à (“chegar a” + artigo “a” = crase);
a (“preferir algo a outro”);
ao (“obedecer” exige “a”);
de (“precisar” exige “de”);
à (“visar a” + artigo feminino);
com (“implicar com alguém”).
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é regência verbal?
É a relação entre o verbo e o complemento da frase, que pode exigir ou não o uso de preposição.
Como saber se um verbo exige preposição?
Não há uma regra única. É preciso conhecer o uso de cada verbo ou consultá-lo em bons exemplos e dicionários.
Qual a diferença entre regência e concordância?
A regência trata da ligação entre palavras (com ou sem preposição), enquanto a concordância trata da flexão do verbo em relação ao sujeito.
Quais são os verbos que mais causam dúvida na regência?
Alguns dos principais são: assistir, visar, implicar, preferir, obedecer e chegar.
Como aprender regência verbal mais rápido?
Foque nos verbos mais usados, leia com frequência e pratique com frases reais. A repetição ajuda a fixar naturalmente.
